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FCelso
ParticipanteOpa,
Nesse vou faltar pois estarei em Torres!
Se quiserem marcar outro dia durante a semana, preferencialmente num BAR, tá valendo!Abraço,
FabrícioFCelso
Participante@fsouza wrote:
Celso,
Obrigada pelo testemunho de sua experiencia. Foi muito valido.
Tenho uma pergunta, pois fiquei um pouco apreensiva com seu relato:
Vc sofreu algum preconceito diretamente?
Conheceu alguem que sofreu?Estou a caminho de Quebec e me preocupa sofrer discriminaçao por ser imigrante.
Obrigada,
FsouzaBoas Fsouza,
Diretamente eu não sofri discriminação por ser imigrante, porque eu não obtive “status” de imigrante. Quando estive no QC foi a estudo com bolsa do governo canadense tendo visto de trabalho (necessário para o pós-doutorado porque o estudo na verdade é um trabalho de investigação científica). Dessa forma, toda vez que conversava com alguém, me apresentava como pesquisador/investigador na universidade, e isso gerava uma surpresa positiva para as demais pessoas. Outro ponto que me axiliou a não sofrer preconceito foi eu ser branco, similar à maioria dos quebequenses e falar francês com sotaque parecido ao francês, de modo que, conversando sem uma apresentação formal, as pessoas pensavam que eu era francês.
Entretanto, vivenciei situações de discriminação, por vezes veladas, e por vezes explícitas. Um exemplo de discriminação velada aconteceu quando um colega que é formado e tem mestrado em química e estava fazendo doutorado, foi embusca de trabalho fora da universidade e, por ser marroquino de sobrenome árabe, ainda não obteve êxito, após 3 anos de vivência no QC e com carta de recomendação dos supervisores. Um evento de discriminação explícita aconteceu quando um professor na universidade que eu estava, comentou acerca do trabalho de outro professor em outra universidade e disse a seguinte frase: “e ele é negro, você sabia?”. Eu fiquei chocado com essa declaração, ainda mais no meio acadêmico que, teoricamente, deveria ser mais tolerante.
Abraço,
FabrícioFCelso
Participante@bbertelli wrote:
Como o Erasmo aqui da CBQ tb diz:
Imigrar nao é para todos!
Realmente nao é para todos e depende fundamentalmente de sua disposiçao, comprometimento e objetivos.
Boas Bruno,
Lembro sempre disso que o Erasmo escreveu há anos atrás, eu mesmo devo ter lido há 3 anos passados. Concordo com essa ideia de que não é pra todo mundo e, ainda, que as pessoas interessadas deveriam passar uma estada mínima de 1 ano no QC para experimentar a vida num ciclo completo do clima, pois aí sim poderiam decidir com maior convicção se vale a pena ou não realmente investir na imigração. Meu exemplo próprio, e de várias pessoas que conheço e convivo, é de trabalhar e estudar, com muita disposição, comprometimento e objetivos claros. Mas, no meu caso, a disposição se deu quando fiz graduação trabalhando para custeá-la em universidade privada, mestrado e doutorado com bolsa em universidade pública e pós-doutorado com bolsa no exterior. Hoje, com 34 anos de vida, esse é meu posicionamento em relação à imigrar para as “maravilhas” do QC. Quem sabe, se eu tivesse 20 anos e somente com curso técnico de nível médio, minha ideia seria diferente. Depende muito do perfil e do que cada um considera importante para a tal qualidade de vida.
Abraço,
FabrícioFCelso
Participante@Carlos_Santos wrote:
Sempre uso a premissao de nao tomar uma informacao como sendo uma “verdade”, mas a verdade segundo a visao, experiencia e expectativas da pessoa que escreve.
Isso so… ja causa bastante polêmica ;-)
Sim Carlos,
A ideia é justamente essa, relatar a experiência vivida em detalhe para quem for ter uma ideia do que se passa. Eu particularmente sou a favor de ao menos a pessoa interessada em imigrar, passar um período no Canadá (ou onde for) antes de tomar a decisão por opção (e não por forças externas).
Na medida do possível, vamos colaborando :discuss:
FCelso
ParticipantePontos positivos:
Segurança inquestionável de ir e vir pra onde se quiser; o único detalhe é que na Cidade do Québec, não há muitos lugares para se ir :alright:
Sistema de educação superior muito bom (em alguma universidades, não todas) com facilidade de acesso (pago, mas custo mais baixo que nas privadas no Brasil).
Sistema de transporte público extremamente eficaz (em Montréal, porque na Cidade do Québec se espera até 30 minutos pelo busum a -20oC ou menos no inverno);
Acesso a bons vinhos a preço bastante acessível (o que em contrapartida, incentiva o alcoolismo);
Acesso facil a América do Norte e Europa (fácil pela distância);
Acesso mais rápido as novidades tecnológicas e de consumo (para quem dá importância para esse item e não usa importação via Ebay, etc);
FCelso
ParticipanteAlguns pontos negativos do QC:
Perspectivas reais de avanço e inovação da carreira muito esparsas no Quebec. Não existe inovação tecnológica e o ambiente de trabalho não é dos mais estimulantes. Trabalho na minha área é possível somente na universidade, com pouca interação com empresas. E o salário líquido nessa posição é proporcional ao que se consegue no Brasil. No resto do Canada, a situação é um pouco melhor (tenho colegas e amigos que trabalham em Waterloo como referência);
Serviços públicos mal organizados e de qualidade muito duvidosa e questionável. No Brasil, não é bom (como nós bem sabemos), mas a carga tributária no QC é absurdamente alta e não justifica a deficiência dos serviços;
De modo geral, as pessoas não tem educação e muito menos, sofisticação. São camponeses com um cartão de crédito no bolso e se acham a última coca-cola do deserto por conta disso. Quanto mais para o interior, pior é a civilidade. Compreender o idioma então, é brabo.
A sujeira das ruas de Montreal (papel, seringas de drogas, vômito de bêbados, xixi de cachorro e coco dos mendigos), saindo da parte turística da cidade, é o que mais se nota;
Mal estar crescente em relação aos estrangeiros, bastante preconceito, o medo dos nativos em perderem o emprego para os estrangeiros;
Ilusão de bem-estar social. Os altos índices de suicídio e consumo de drogas contradizem o ideal de que no Québéc “on fait du bon vivre” ou que “on est bien au quebec”;
Serviços privados sem nenhum respeito pelo consumidor. O código de defesa do consumidor é bastante rudimentar;
Serviços de saúde pública sobrecarregados, sem possibilidade de aquisição de planos privados. Segundo o senhor onde morei por 1 ano, a tendência é que em 10 anos haja necessidade de criação de planos de saúde privados.
Clima, não apenas a intensidade do frio, mas a quantidade de tempo que o clima é desagradável para praticar esportes em ambiente aberto. Como praticante de corrida, senti muita falta de poder correr ao ar livre com conforto, sem falar em ter que colocar a armadura de astronauta para ir comprar cerveja na esquina e ficar praticamente 6 meses em ambientes fechados, seja em casa, no trabalho, para fazer compras, diversão, etc.
Alimentação muito cara. No Brasil se come muito melhor (pratos saudáveis inclusive, não porcarias) a preços muito mais baixos. Restaurantes muito mais caros que no Brasil, mesmo se comparado a cidades turísticas como o Rio de Janeiro. A carne de gado comprada no açougue aqui no RS, mesmo com o aumento, continua muito mais em conta do que fazer um churrasco no QC, sem falar no preço da cerveja para acompanhar.
FCelso
ParticipanteEis algumas das razões que me fizeram optar por não ficar no QC.
Trabalho
Para minha esposa, não há restrição com relação à ordem regulamentadora, pois ela trabalha com informática. Em outubro de 2008, contactei a empresa Ubisoft numa feira de profissões na ULaval. Em dezembro de 2008, minha esposa foi contactada pela empresa via telefone e em janeiro 2009 ela fez uma entrevista no escritório da empresa na Cidade do Québec, pois ela havia viajado para me visitar nas férias. A entrevista foi em inglês; informaram a ela os objetivos e planos da empresa, e a questionaram sobre a sua adaptabilidade e possibilidade de trabalhar em um ambiente francófono.
A empresa estava interessada em contratá-la para um plano de expansão que incluía a produção de jogos digitais educacionais para crianças até 4 anos e jogos para pessoas mais velhas (acima dos 35 anos que é onde fica o maior filão desse mercado). Entretanto, devido à crise econômica, a empresa desistiu dos planos de expansão e concentrou-se no seu mercado tradicional.
Nesse meio-tempo, minha esposa ficou no Brasil seguindo com seu trabalho de doutorado que foi concluído semestre passado, passou num concurso para professor/pesquisador em universidade pública e agora aguarda sua nomeação, na área de design.No meu caso, cheguei na Cidade do Québec para trabalhar com pesquisa científica. Recebi uma bolsa de pós-doutorado do governo Canadense de 1 ano de duração, tendo recebido um Visto de Trabalho temporário. Seguem minhas sondagens para trabalho no Québec; ainda em abril/08 (segundo mês), na ULaval foi-me dito que não haveria pronta vaga para professor na minha área, pois embora eu tivesse condições técnicas para apresentar as disciplinas, o domínio do francês era uma deficiência minha.
Numa viagem que fiz em junho/08 à Ottawa, com passagem Montréal, aproveitei para verificar uma vaga para professor/pesquisador na minha área na Uvinersidade Mc Gill.
Não havia me inscrito no concurso, nem agendado uma conversa com o professor responsável pela organização da seleção. Entretanto, resolvi me lançar à sorte e, casualmente, o professor me recebeu mesmo sem agendamento prévio. Conversamos em torno de 30 minutos, ele me explicou como funcionava a seleção, me informou que haviam 150 incritos até o momento e que já haviam pré-selecionado 8 candidatos e ele ainda chegou a me encorajar a me candidatar à vaga; o que não fiz tendo ciência do meu histórico naquele momento.
Haviam ainda algumas outras vagas que vi no mural da ULaval; professor de CEGEP em plásticos na localidade de Thethford Mines, professor/pesquisador em Kitchner Waterloo.
Assim, acabei focando minha atenção no objetivo para o qual eu realmente estava ali, ou seja, realizar pesquisa e produzir artigos científicos.
Depois de mostrar serviço com o professor onde estive trabalhando, tanto por sugestão de um colega de trabalho como do nosso colega Carlos_Santos, busquei contactar a empresa Vaperma, que trabalha com uma tecnologia para purificação de etanol. Havia uma vaga para um profissional com experiência em desenvolvimento de tecnologia na minha área, que soubesse inglês/francês e com o diferencial de saber português (a empresa tinha contato com a Dendini no Brasil). Isso foi em novembro/08; contactei via telefone, tendo sido me solicitado o envio de C.V. Após enviar o currículo, entrei em contato novamente, o pessoal recebeu meu curículo e em duas semanas foi me informado que as novas contratações estavam suspensas. A empresa tinha 75 funcionários até o Natal/08; em janeiro/09 voltaram apenas 19 para o trabalho.
Depois disso, ainda tentei obter uma bolsa de pós-doutorado com meu professor na ULaval, mas ele não havia aprovado projeto na minha área, não havendo bolsas disponíveis naquele momento. Assim, contactei meu ex-co-orientador de doutorado na UFRJ e obtive resposta positiva de uma bolsa de 1 ano, prorrogável por mais 1 ano, trabalhando no RS e no RJ, continuando a desenvolver a nossa pesquisa.
Depois do retorno ao Brasil, fiquei 2 meses de “férias”, aproveitando o sol e o calor de março e abril de 2009 (houve uma forte estiagem no RS), tendo iniciado a bolsa de pós-doutorado em maio/09. No final de julho/09 houve um concurso numa universidade particular do Vale dos Sinos (RS); local onde comecei a trabalhar em agosto/09 e estou atualmente desenvolvendo pesquisas aplicadas e ministrando disciplinas na minha área. Creio que o tempo que passei em Québec, aliado aos trabalhos publicados desse período, foram o diferencial para meu sucesso na seleção da universidade.FCelso
ParticipanteOlá Filipe,
Uma sugestão que posso te dar é de vocês tentarem levar a vida normalmente de acordo com o seu padrão atual. Terás uma ideia de quanto custa viver da mesma forma. Claro que tens que considerar o período de inverno e o salário que receberás em $ canadense quando imigrante. Aí terás uma base do mínimo realmente necessário para ter o padrão mais ou menos conhecido de vida, que é bem diferente do mínimo exigido pela imigração.
Abraço e boa sorte na empreitada!
8 de dezembro de 2010 às 09:52 em resposta a: Aposentadoria no Canada: uma reportagem interessante #42399FCelso
Participante@Carlos_Santos wrote:
pior que Bico, é que é um trabalho aonde a pessoa nao paga impostos (por isso é tido como “noir”).
Eles simplesmente não declaram os rendimentos destes trabalhos.
Nao achava que seria tao complicado sem uma aposentadoria privada (REER). 8O
Boas Carlos,
O senhor dono da residência onde fiquei hospedado, dava aulas de matemática para reforçar o orçamento. Além disso, ele aluga os quartos da casa, também para complementar a aposentadoria regular. E acredito que ele não paga imposto pelas aulas nem pelo aluguel.
Abraço,
FabrícioFCelso
ParticipanteCertamente que comparando com o útimo inverno, que foi bem fraco e curto, o próximo será mais forte e longo. Mas pelo que informaram, dentro do padrão normal. Nada que os quebecas não tirem de letra :bigups:
FCelso
ParticipanteElisa,
Preste bem atenção para as normas da tua profissão, pois engenharia química e química têm conselhos diferentes no Brasil. Acredito que no Canadá e no Québec não seja diferente. Te informa bem nos órgãos oficiais, envia e-mail e vai embusca da informação de fonte confiável! E depois conta pro pessoal :mrgreen:
FCelso
ParticipanteBoas Carlos,
Além das botas com pinos retráteis/conversíveis, existem tiras de couro com pinos metálicos para colocar sobre o calçado. Esse último é mais barato e vi senhoras usando no dia-a-dia para ir na clínica de fisioterapia, por exemplo. Muito úteis para caminhar sobre o gelo sem o risco de cair e quebrar a bacia, por exemplo (fragilidade comum nos idosos).
FCelso
ParticipanteFoundante = Fundente
Verglas = Gelo “envidraçado”
Não vamos esquecer o português :roll:
Ao que parece, os moradores em QC já estão se tornando nativos :lol:
O Carlos até parece um verdadeiro quebeca, que não acredita em previsões antecipadas (assim como o Sandro) :P
Curiosidade: Em 1998 houve uma tempestade de gelo na América do Norte, atingindo inclusive o sul do QC http://en.wikipedia.org/wiki/North_American_ice_storm_of_1998
FCelso
ParticipanteBoas Carlos!
Bem legal o vídeo! Ilustra bem o dia-a-dia com a neve.
Sabes informar qual a previsão desse ano, se muita neve ou pouca neve? Faixas de temperaturas?
Abraço e boa curtição até abril/maio quando a neve for se despedir! :bigups:
19 de novembro de 2010 às 19:21 em resposta a: Quebec Experience Class-novo programa de imigração do Quebec #42206FCelso
ParticipanteExcelente notícia, Ventura!
Eu, se não tivesse desistido de imigrar e não tivesse começado obtido CSQ via Montréal, com certeza aplicaria na segunda opção.
Em relação aos custos, fica no mesmo patamar das demais modalidades?
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