no Qc, quando foi seu momento **pede pra sair** ?

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  • Este tópico contém 12 respostas, 10 vozes e foi atualizado pela última vez 11 anos atrás por Amélie.
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    • #8245
      gabi-infirmiere
      Participante

      Com o topico de *como aceitar a espera ainda no Brasil*, achei interessante discutirmos nossos momentos de **pede pra sair** ja estando aqui no Québec.
      Pois é facil falar das pingas que a gente bebe, mas é dificil ver os tombos que levamos …..

      meu **momento pede pra sair** =
      final de 2007!
      Havia chegado em setembro daquele ano e estava com os trâmites para validaçao do meu diploma encaminhados.Acreditava que antes de 3 meses tudo estaria resolvido ….. MAS (ha sempre um *MAS* nas historias dos imigrantes) a faculdade teve a bondade de errar um documento e isso me atrasou o processo. Na verdade a OIIQ simplesmente pôs pra escanteio minha demanda, aguardando a complementaçao de informaçoes!

      Entao, la estava em no fim do ano 2007, literalmente na noite de réveillon, trabalhando como PAB num ersidencial para crianças autistas onde todas dormiam (fazia um horario tenebroso, das 5 da tarde às 9 da manha!) e assistindo pela TV os fogos de artificio de NY.
      Era meu primeiro fim de ano completamente sozinha (pois imigrei divorciada), sem amigos (cheguei aqui sem conhecer viva-alma), sem dinheiro (pois havia emprestado uma parte da minha reserva para minha familia = pois sempre ha um MAS nas historias de imigrantes, lembram-se?) e sem perspectivas concretas de poder atuar como enfermeira, ja que a faculdade nao respondia aos meus apelos e a OIIQ havia bloqueado meu processo ….
      Chorei muito (muito à enésima potência) neste réveillon, foi o mais triste de toda a minha vida e foi meu momento **o que estou fazendo aqui???**

      No BR eu trabalhava como analista comercial num dos hospitais mais renomados de SP, tinha casa, comida, roupa lavada (literalmente) e todos amigos e familia ao lado…. bom salario e todo o kit de classe média …..

      Quando a comemoraçao de NY começou e eu me dei conta de que no QC, nos bairros residenciais, NAO HA QUEIMA DE FOGOS, minha depressao so aumentou.
      Minha decisao de ano novo havia sido *se a OIIQ nao me der uma resposta até março, eu volto pro Brasil*.
      Ainda bem que dei um tempo para que as coisas entrassem nos eixos e felizmente a resposta veio antes de março! Consegui iniciar meu curso em agosto, tendo passado a temporada de verao-2008 no Caribe, trabalhando como enfermeira no Club Med. Apos minha crise do reveillon-2007 aprendi a dar tempo ao tempo e a respeitar minhas limitaçoes. E aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece!! (quando iria ter a oportunidade de trabalhar em Punta Cana de novo? rs)

      reveillon de 2007 …. Este foi meu PIOR momento! :( :(

      Acabei voltando ao BR por um periodo de quase 6 meses em 2009, mas dai foi em razao de doença na familia, estava bem adaptada e ja como enfermeira aqui no QC e assim que a situaçao foi resolvida, voltei correndo (quero dizer, voando) pra minha terra fria.

      As decepçoes e frustraçoes fazem parte de todo o processo de imigraçao, nao sao exclusivas da primeira fase ….

      entao, sem querer ser piegas, mas sendo realista =
      geralmente na fase de planejamento temos a tendência a ver o mundo em cor-de-rosa, tudo sera lindo e a grama mais verde … mas nem sempre é assim, as vezes passamos por verdadeiras provas de fogo por aqui. Sei que a tendência é minimizar isso e até mesmo esconder (como um casal que se alimentava através de bancos alimentares mas possuia um IPhone para exibir aos amigos brasucas … tsc tsc tsc) mas se outros que ja estao aqui no Qc puderem expôr seus momentos *pede para sair*, creio que sera de grande valia para todos.

    • #55565
      Mamae ZO
      Participante

      Gabi, adorei o seu testemunho e a ideia do tópico!
      Com certeza, seria muito proveitoso se os colegas de Quebec/Canadá nos relatassem seus momentos “pede pra sair”.
      Nem todo mundo gosta de partilhar seus perrengues, mas acho que pode ser uma oportunidade de aprendizado pra todos nós!
      Obrigada!
      :wink:
      Mamãe ZO

    • #55569
      SANDROMS
      Participante

      Muito bom tópico…

      Eu não posso dizer que tive um momento “PEDE PRA SAIR” mas alguns chegaram muito perto:

      Primeiro momento quase “pede pra sair”:

      O primeiro momento foi ao fim dos primeiro três meses. Chegamos em plena crise mundial de 2009 e as empresas estavam muito reticentes em contratar novos empregados. Fiz várias entrevistas de emprego que pareciam promissoras mas não deram em nada. Em uma delas a razão pela recusa é que meu inglês não era bom o bastante – porque raios eu estudei francês então!!!

      Nossas reservas estavam realmente acabando – trouxemos pouco mais do dobro do exigido pelo Quebec – e a minha esposa conseguiu um trabalho de manicure ganhando o mínimo. Minha rotina era levar os filhos para a Garderie pegando dois ônibus pra ir e outros dois pra voltar! No meio tempo eu procurava emprego.

      Finalmente o emprego veio um pouquinho antes da grana acabar. E o “pede pra sair” ficou no quase. Mas acho que a angústia do processo deixou a gente meio “estressado” por vários meses, refletindo-se inclusive no relacionamento familiar. Aliás muitos casais se separam após a imigração devido a esse stress, e simplesmente porque a gente muda muito após todos esses desafios.

      Os outros momentos foram “nosso coloc: o Mickey Mouse” e “atolado la neve”. Posto depois.

    • #55571
      RonaldoMaciel
      Participante

      Bom topico mesmo. Ainda nao estou aqui ha tanto tempo (quase tres agora) mas tive um momento de bastante reflexão, que realmente faz a gente mudar e entender nossa nova realidade.

      Cheguei em setembro de 2009. Fizemos turismo durante um mês para conhecer a cidade e para tirar um pouco de férias mesmo já que a gente estava trabalhando direto no Brasil. No final do primeiro mês fui procurar emprego e como o Sandro não tinha resposta de nada, continuei procurando mais dois meses e nada – NADA mesmo nem uma entrevistinha sequer. Bate um desespero, vc começa a duvidar das próprias capacidades, duvida do conhecimento de idiomas, revê seu planejamento pra ver onde errou. Até que comecei a procurar empregos que exigiam (bem) menos qualificação.

      Fui chamado entao para uma entrevista num call center (da Bell), na parte de cobrança. Me ligaram num dia, no outro fiz entrevista e no seguinte comecei a trabalhar. No primeiro dia fomos fazer um treinamento (tipo sala de aula mesmo com projetor) e dois quebecos davam o curso. Quando começou entendi muito pouca coisa, e cada vez ia ficando mais nervoso e entendo ainda menos… fiquei em estado de choque e fui pra casa. Em casa, olhei minha esposa e desabei – pensei: “Nossa não vou conseguir nem um emprego num call center pois não entendi nem 40% do que foi falado no treinamento!” E claro, o inevitável: O que estou fazendo aqui?. No Brasil deixei uma vaga muito promissora (eu receberia uma promoção no MESMO dia que anunciei minha demissão) numa das maiores empresas do mundo (ExxonMobil).

      Conversamos muito, ela me consolou e baixei muito o nível que eu esperava conseguir neste emprego. Minha meta foi simplesmente conseguir fazer o treinamento até o fim, pois ele era eliminatório. A cada semana caíam 2 ou 3…éramos uns 20 no total.

      Fui usando todas minhas capacidades de aprendizado, redobrei, tripliquei minha atenção. E ao final de três semanas fui selecionado entre os 9 finais (sendo que muitos québécois ficaram no meio do caminho).

      Então a minha mensagem é: estudem MUITO o idioma, preparem-se para o passo para trás profissional (que podem ser dois, ou três até quatro passos pra trás) e, claro, tenham o espírito aberto para novas aventuras.

      Abraços a todos
      Ronaldo

      Residente Permanente desde Set/2009, cidadão desde Jul/2014 e mora na fascinante Montreal.

    • #55579
      NAYRA E ARNALDO
      Participante

      Gabi Gabi, sempre criando assunto né, mas sempre ótimos.

      Acredito que aqui dará para termos uma idéia do que nos espera nas terras geladas. Muitos veem a imigração como um sonho e que será somente alegria, se esquecendo das dificuldades de adaptação. Esquecemos que no canada será uma vida literalmente nova, amigos, empregos, experiências, moradia, crédito, nada vai se comparar com a vida no brasil, praticamente começaremos do zero. Acredito que além do stress de espera de todo o processo (que diga-se de passagem não é nada fácil), temos que nos preparar para aceitar essas mudanças que será radical, imaginem, hoje tenho meu emprego, ganhando o meu salário, tendo uma vida calma, e na outra semana, chegando no canada não teremos mais nada, além de nossas malas e muita vontade.

      Espero que tenha muitos depoimentos neste tópico com relatos das dificuldades de ser um imigrante, para que nós aqui no brasil possamos refletir e já se preparar para UMA VIDA NOVA.

    • #55580
      JF
      Participante

      Muito bom o tópico, Gabi! A gente aprende muito observando as dificuldades dos outros e é isso que devemos fazer, mesmo quando a vontade de enxergar o mundo cor de rosa do Québec é grande.

      Às vésperas de completar 6 meses de Montreal, acho que posso ficar feliz de não ter (ainda) nenhum momento “pede pra sair”. Apenas uma vez tive muita vontade de estar em São Paulo, com a família toda reunida comemorando o dia das mães e o primeiro aniversário do sobrinho-afilhado que eu não estava presente. Estava há 3 meses aqui e pela primeira vez me dei conta do enorme peso da decisão que eu tomei ao imigrar e que vou levar comigo para sempre. Chorei sozinha na sala esperando o marido chegar em casa…

      E o relacionamento… ah esse você precisa cuidar muito bem! Eu e meu marido nos orgulhávamos de nunca termos brigado na vida. Não posso dizer que aqui estamos brigando, mas muitas vezes rolam alguns “atritos” desnecessários, que na minha opinião vêm do fato de que a gente passa muito tempo juntos-sozinhos-só-a-gente-sem-mais-ninguém. O fato de ainda termos poucos amigos aqui meio que nos leva a isso e com o tempo a coisa vai se desgastando. Ainda bem que estamos os dois trabalhando, mas imagino que a combinação muito tempo livre e pouco dinheiro para gastar só pioraria tudo.

      Ahh, não é fácil essa vida de recém-chegado, uma montanha russa de sentimentos e muitos desafios.
      Mas por outro lado… esses foram os melhores 6 meses da minha vida! Que venham os próximos! :-)

    • #55582
      NAYRA E ARNALDO
      Participante

      Olá pessoal, me parece que muitas pessoas passam por este *pede pra sair* por estarem sozinhos em terras desconhecidas. Não seria interessante criar um encontro igual realizamos em São Paulo, assim teríamos com quem conversar rsrsrs. Não sei se existe algum tópico sobre, mas fica a idéia.

    • #55584
      SANDROMS
      Participante

      @J+F wrote:

      E o relacionamento… ah esse você precisa cuidar muito bem! Eu e meu marido nos orgulhávamos de nunca termos brigado na vida. Não posso dizer que aqui estamos brigando, mas muitas vezes rolam alguns “atritos” desnecessários, que na minha opinião vêm do fato de que a gente passa muito tempo juntos-sozinhos-só-a-gente-sem-mais-ninguém.

      Primeiro ponto, pela minha experiência, essa questão do relacionamento passa. Mas tem que cuidar pra não degringolar mesmo. No nosso caso o stress com filhos, a falta de faxineira, babá, carro (nos primeiros meses) e sempre ter algo na agenda: uma documentação que faltou, uma coisa que é preciso comprar pra casa, um lugar pra ir, uma roupa de inverno pra comprar. Parece que o casal não tem descanso nunca.

      Quando a ficar sozinho, puxa vida, a culpa é dos seus vizinhos que nunca chamam para um cafezinho! :bangwall: (momento mea-culpa)

    • #55591
      Carlos_Santos
      Participante

      Obrigado Gabi pela iniciativa e depoimento, como sempre bem vindos!

      Depois de 5 anos (recem completados…. ontem!) no Québec, esta opcao de “pede pra sair” nao estava nos meus planos e quando sai do Brasil nao desejava em hipotese alguma retornar!

      Vim decidido à vencer e progredir, mesmo sabendo que muitos momentos dificeis estariam por vir….

      E de fatoaqui um deles que vivi:

      quando cheguei aqui queria continuar a ser pesquisador, afinal cheguei com tres cartas de diferentes pesquisadores no Brasil e na Franca me apoiando, além das possibilidades de relacoes com outros centros de pesquisa que possuia na época, ja que estava no “auge da minha carreira de pesquisador”.

      Bom, tres meses se passaram e apesar de ter contactado inumeros pesquisadores ainda ai no Brasil, o que me permitiu de ter respostas e contatos aqui bem antes de chegar, nao foram suficientes para conseguir nada, mesmo aqui chegando!

      Somente fazer alguns contatos pessoais na Laval e no INRS!

      Depois da triste constatacao, este foi o ponto dificil, pois tres meses, gastando, montando casa, colocando filhos na escola (material, onibus, etc….) e como o dinheiro voa aqui no comeco….. tive de pensar no plano B: ir para a vida fora da pesquisa e me tornar um profissional de TI.

      Mais tres meses de ateliers de busca de emprego vividos intensamente, pois dia apos dia, meus filhos me perguntavam se eu ja tinha arranjado trabalho!

      Para quem em 20 anos de experiencia e nunca conheceu o desemprego (alias eu tinha dois antes de ir para o meu pos doc na Franca….) foi uma dura experiencia e uma boa licao de humildade. Afinal os meus diplomas nao serviram muito ;-(

      Este foi o ponto mais complicado, ver meus filhos tristes porque eu nao tinha emprego!

      Sem falar que so me sobrou depois de quase 6 meses de desemprego um terco de tudo o que eu tinha quando recebi uma proposta de emprego!

      Como vender uma imagem de profissional de Ti um cara so que fez pesquisa???

      POsso dizer que nao foi facil entender esta logica, mas o SOIIT me deu a luz que precisava para isso!

      Mas como disse é preciso acreditar e perservar!

      Facil de falar… mas dificil de executar… Falo por experiencia propria.

      O mais curioso de tudo isso é que hoje eu nem sei que gostaria de fazer valer meus diplomas e voltar para a area de pesquisa ;-)

      Posso dizer que como outros colegas, depois da tempestade passada, vem a bonanca e hoje nao posso reclamar.

      E por isso sempre que posso, ajudo aos colegas à ter o seu emprego aqui no Québec, pois sei o que eles sentem.

      Fica a minha contribuicao ;-)

    • #55597
      FCelso
      Participante

      Muito boa a questão da Gabi. Está quase virando rotina as polêmicas :mrgreen:

      Especificamente respondendo a pergunta, acredito que tenha ocorrido esse momento para mim em duas situações:

      1) Quando recebi minha segunda parcela da bolsa de posdoc e comprei à vista um auto velho de guerra por um preço muito baixo (pelo que até então era a minha noção de preços). Fiquei com um sentimento de culpa muito grande, lembrando o quanto meus pais se dedicaram para a minha formação e o quanto penam para manter seu padrão de vida médio, numa pequena cidade do interior do RS. Me senti muito desconfortável nessa situação e esse desconforto me fez parar para pensar. Claro que pais sempre querem que os filhos sigam o seu caminho e sejam felizes, tenham sucesso em suas escolhas. Mas o sentimento de culpa me fez pensar que estando mais próximo da família, eu poderia colaborar mais com a família, tanto financeiramente como estrategicamente e emocionalmente, e não simplesmente enviar apoio financeiro do Canadá, após obter sucesso por exemplo.

      2) Após o sexto mês de inverno, saí com um casal de amigos para visitar o Hotel de Gelo e percebi que já estava me acostumando a tomar alguma bebida alcóolica sempre que possível (maioria das vezes, cerveja), para evitar a sensação de frio (além de usar roupa de astronauta). Alguns dias depois comecei a matutar (pensar) a respeito das reais motivações para tomar aquelas cervejinhas… E acabei por perceber que estava impaciente para voltar ao ambiente externo com roupas leves, ansioso por um contato com a natureza ao ar livre sem aquele frio todo. Foi particularmente torturante aguardar para retornar ao RS, especialmente nos últimos 3 meses da minha estada no QC, pois nesse ponto eu já havia terminado o trabalho que havia sido planejado, o pagamento estava completo e eu estava apenas aguardando a finalização do tempo de bolsa, que foi de 12 meses.

      Lembrando que solicitei CSQ depois de 7 meses na Cidade do Québec, trabalhando com pesquisador (bolsa posdoc do Gov. Canadense), e acabei então por desistir de continuar o processo (enviar a parte Federal).

      Em relação à mudança de área, comentada pelo Carlos, aliada às conversas que estou tendo com meu colega russo-canadense (que está no RS com bolsa CNPQ pesquisador visitante), há realmente uma barreira muito grande, especialmente nas universidades de cidades menores, em contratar professores/pesquisadores. O que esse meu colega tem feito, hoje com 18 anos desde sua mudança da Rússia ao Québec, é trabalhado com contratos temporários como pesquisador associado. O mercado em geral, ao menos na província do Québec, não é dos mais promissores para quem pretende seguir a carreira acadêmica (esse seria um terceiro ponto para eu abandonar a ideia da imigração ao QC).

      Um abraço,
      Fabrício

    • #55629
      SANDROMS
      Participante

      eu já falei meu primeiro momento quase **pede pra sair** aqui vão os outros dois:

      Nosso vizinho o Mickey Mouse

      Chegamos em Montreal em março com acomodação acertada por um mês. Nesse tempo foi duro achar um ap bom, bonito, barato e bem localizado, mas achamos algo interessante, pelo tinha uma localização excelente.

      O problema é que embora reformado por dentro o prédio era meio antigo, parece que de 1920. E após algum tempo a verdadeira idade foi aparecendo em forma de problemas, janelas que não vedavam bem o frio, chaufage que quebrava várias vezes no inverno e o cúmulo foi quando começamos a receber a visita de ratos…

      Ao reclamar com o concierge ouvimos a seguinte frase: “ratos? a sim, de vez em quando aparecem no nosso ap também, eles até que são bonitinhos…” preciso dizer que ele não fez nada? Nesse momento pensamos que sempre moramos em prédios limpinhos no Brasil com zeladores e porteiros dedicados (embora as vezes limitados) para ter aqui um concierge porco que acha bonitinho os ratinhos correndo pela sala…

      Felizmente nessa época já estávamos melhor integrados e percebemos que era hora de **pedir pra sair**, mas do ap para um outro melhor, mais caro, mais limpinho e sem ratos.

      Atolado na neve

      E o terceiro e último, foi o momento **pede pra sair** da minha esposa. No primeiro inverno aqui, tínhamos um carro velho, um verdadeiro citron, que as vezes não dava partida por conta do frio. Além disso aconteceu uma tempête de neve no início do inverno, bem no meio do dia, crianças na escola e era hora de buscá-los.

      Naquela tarde nevou uns 20cm, mas o carro ficava numa avenida movimentada que era muito bem limpa pelo trator, isso significa que o trator já havia passado várias vezes tirando a neve da rua e jogando pro lado, em cima dos carros. A neve já estava chegando na altura da janela quando minha esposa saiu para buscar as crianças.

      Ela achou que estava vestida apropriadamente e desceu para cavar, além de não conseguir desenterrar o carro, ela descobriu que as botas de 100$ não eram para neve e os pés começaram a congelar. Ela meio que pirou com a sensação de incapacidade e me ligou desesperada “não consigo desenterrar o carro, meus pés estão congelados, as crianças ainda estão na escola! Será que vai ser o inverno todo assim?” Naquela hora ela quase pediu pra sair. Eu que estava quentinho no trabalho disse apenas: “larga o carro aí e pega um ônibus ou taxi” foi o que ela fez e deu tudo certo. De noite eu fui desenterrar o carro, e gastei uns 45 minutos. Fui com calças e botas de neve, luvas de snowboard e no final sai suando.

      Moral da história: o inverno daqui é algo que não conhecemos e não sabemos como funciona. Até pegar o jeito da roupa certa, do que fazer, e de como contornar os inconvenientes vai tempo. Hoje fazemos assim: se tem previsão de tempête, o carro fica na garagem.

    • #55674
      Quebecquando
      Participante

      Achei esse tópico TÃO legal que resolvi criar um perfil apenas para poder dizer o quanto gostei. Esse tipo de troca é importantíssima para quem ainda está no Brasil e seria muito bom se mais imigrantes bem-sucedidos falassem das dificuldades REAIS pelas quais passaram.

      O legal do compartilhamento de HISTÓRIAS é que saímos dos clichês: “imigrar não é para qualquer um”, “o Québec não é um mar de rosas”, “estudem francês”, etc, que no fundo não dizem muita coisa.

      Ótima iniciativa de post, ADOREI!

    • #62753
      Amélie
      Participante

      Ótima assunto! Não sabia da existência desse tópico até ver a Gabi falar dele em um outro. Acho que tem muita coisa boa na CBQ que ainda preciso descobrir!
      :)

      Amélie

      Timeline:
      21/11/11 - Envio do dossiê BIQ SP
      20/12/12 - CSQ
      05/02/13 - Envio federal CIC Sydney
      21/01/14 - Pedidos de exames
      06/02/14 - Pedido dos passaportes
      28/02/14 - Passaportes recebidos
      10/04/14 - Chegada em Québec

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