Re: Re: Elei

#14941
GUeCRIS
Participante

Oi Erasmo….
Acho que fui mal interpretada…
É complicado falar de assuntos (pra lá de) complexos em poucas palavras, e por isso entendo a confusão em torno de algumas coisas que eu disse.
Bom, minha intenção não foi comparar o Quebec a Alemanha Nazista (jamais!). Mas chamar a atenção para a importância de se discutir e participar da política. Essa discussão foi trazida por uma filósofa chamada Hannah Arendt (corrijam-me os filósofos se estiver errada), na obra ‘A Banalidade do mal’. Pode não ser o caso dos colegas aqui, mas conheço muitas pessoas que dizem ter aversão à política e eu acho isso um erro porque ela afeta cada aspecto de nossas vidas. A idéia foi, portanto, de chamar a atenção dos colegas para a importância do tema levantado pelo Alexandre…
Com relação aos mulçumanos, hindus, etc…. Eu, particularmente, sou uma amante da diversidade cultural. Acho que aprendemos muito com ela e, com certeza, é uma grande riqueza. Conheço mulçumanos de diversos países (Turkia, Líbano, Egito, Pakistão, Afeganistão, Argélia, Iran) e nunca tive problemas de convivência. Mas se nós, brasileiros, somos um povo tolerante (de maneira geral, sim), isso não se aplica a todos os outros “povos”. Sei que também é complicado falar em “povos”… pois incorremos nas generalizações novamente…. mas vcs devem concordar comigo que nem todos são receptivos e abertos como os brasileiros. Com relação a questão da integração e dos guetos… concordo com você que é menos uma falha dos imigrantes do que do governo do país que acolhe. Essa discussão foi retomada com toda a força na Inglaterra após os últimos atentados terroristas, pois os homens-bomba eram nascidos na Inglaterra. Foram criados lá! A falha do governo inglês de promover a REAL integração das comunidades culturais, portanto, contribuiu para o terrorismo. Mas cabe, prioritariamente, ao governo criar mecanismos e desenvolver políticas que visem à integração dessas comunidades, para que possam todas conviver em harmonia, preservando-se sua riqueza (a diferença).
Mas apesar de a diversidade cultural ser uma riqueza, para os costumes deve haver um limite, que é justamente a dignidade humana. Não é que devamos sair por aí, à “la Bush”, invadindo todos os países que têm uma cultura diferente da nossa (essa é outra discussão, que gira em torno do direito de intervenção). Muito longe disso! Mas, nos países ocidentais, os valores dos direitos humanos e da dignidade humana são intocáveis, pelo menos teoricamente. Estão consagrados nas constiruições e nos tratados de Direitos humanos. Então, no Brasil como no Canadá, não podemos permitir determinadas práticas que, apesar de serem um costume, ferem a dignidade humana, como, por exemplo, a mutilação genital feminina. Isso é Lei. É disso que eu falo. No Afeganistão, os pais casam as meninas com 9, 10 anos. É cultura, é costume. Para mim é errado, para eles não. Mas, uma vez que essas pessoas habitam em outro país, onde vigoram valores e leis diferentes, elas têm de se subordinar as leis locais. Se nós fôssemos habitar em um país islâmico também teríamos de nos submeter às leis locais. Essa é uma discussão pra lá de polêmica, eu sei. Mas essa é a minha humilde opinião. :roll: