Re: Re: Quanto levar?

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#26823
karlamatias
Participante

Depois de acompanhar essa discussão entre brasileiros e principalmente depois de alguém ter escrito que “ninguém ousasse sair do país sem ter dinheiro pra 1 ano” (!), resolvi conversar com um amigo québecois e perguntar sobre essa questão de quanto levar.

Expliquei pra ele o valor mínimo de 2593 dólares para 3 meses para uma pessoa solteira sem filhos. Ele falou que, dividindo um apartamento, realmente 850 dólares ao mês dá pra manter o básico: moradia + alimentação + transportes + alguns gastos pessoais, desde que os brasileiros estejam dispostos a deixar o luxo com o qual está acostumado no Brasil de lado por uns tempos e se esforçar pra conseguir trabalho logo, como prioridade.

Ele conhece muitos brasileiros e bastante o Brasil e concorda que o problema é que o perfil do brasileiro que está indo pro Canadá é de classe média alta, acostumado a ter um belo apartamento ou morar em belas casas em condomínios fechados, quando não têm outros imóveis, um bom carro, a jantar em bons restaurantes, usar roupas de grife, e as mulheres, sempre frequentando salão de beleza. O choque é que muitos querem ter o mesmo nível logo de cara. Muito chegam no Québec, se deslumbram e se comportam como turistas, fazendo passeios, compras… realmente pra isso o dinheiro não dá.

Ele disse: se puder traga 3000 dólares pra ter uma folga no orçamento (como o Bruno colocou acima) mas se você vai chegar no verão (ou seja, não precisa comprar roupas de inverno) e está disposta a abrir mão das regalias até conseguir um emprego, o valor calculado dá sim!

Mas, logicamente, isso vale pra quem vai só! E também pras pessoas que terão condições de conseguir um trabalho dentro dos 3 meses. Na comunidade “Quero ir para Québec”, a Mariana colocou um tópico interessante: a incompatibilidade entre fazer a francisação e procurar emprego. Então, quem vai ainda frequentar as aulas de francês, certamente terá e se preparar mais financeiramente.

Enfim, acho que o orçamento deve ser estudado individualmente. Mas pelo jeito que ele falou, deu pra perceber que as pessoas que estão acostumadas a viver mais modestamente no Brasil, se adaptam mais a essa questão socioeconômica lá. São exatamente os “ricos” que mais sofrem!