Re: Re: Eleições em QC

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#56712
wangomes
Participante

Eu não achei um tópico sobre eleições em QC, por isso criei esse. O que vi era sobre eleições no Brasil.

Se o PQ vai ganhar ou não ou se vai ser capaz de passar essas leis se for eleito é o menos importante para mim. O mais importante é que essas idéias tem apoio dos eleitores. O que as eleições de QC me ensinaram é que minha escala de valores é fundamentalmente diferente do resto da sociedade quebecois. Para eles vale tudo para defender o francês e a soberania (acho que no fundo a vasta maioria dos francófonos são separatistas, mesmo o que não apoiam o referendo só não concordam com o timing).

Como o caso de anglófonos bilíngues, não basta falar francês, vc tem que ser “pure laine” para não ser olhado com desconfiança. Não acho que haja algo parecido no resto do Canadá. Vejo preocupações quanto à quantidade de imigrantes, mas não vejo tolerância a xenofobia. O wild rose perdeu as eleições em Alberta por conta disso. Aqui em QC, a plataforma do PQ nem causa polêmica e até agora a intenção de votos segue inalterada, se não aumenta um pouco.

Outra coisa que aprendi é que embora separatismo a curto prazo não seja uma unanimidade entre os francófonos, a defesa do francês é. Por isso acho que o PQ não deve ter problemas para passar essas leis (mesmo com minoria) com um pouco de apoio dos outros partidos. Veja o CAQ, por exemplo. Eles estão em cima do muro na questão da separação mas são bem firmes na defesa do francês. Não deve ser difícil conseguir apoio para o PQ conseguir apoio de parlamentares do CAQ e QS quanto a isso.

Quanto a direitos humanos e constitucionalidade, as leis de apoio ao francês não devem ter problemas. As de proibir o uso de símbolos religiosos ou a tal de cidadania quebecois podem ter algum problema mas QC tem um dispositivo que pode usar para não se submeter à constituição canadense e a Pauline Marois já fez menção a utilizar ela.

Lembre-se que houve uma época em que imigrantes e francófonos tinham o direito de mandar os filhos para escolas primárias e secundárias em inglês e agora não temos mais. Bloquear acesso ao CEGEP é o próximo passo e francamente acho que é só uma questão de tempo. Na verdade já vi discussões sobre bloquear acesso às universidades anglófonas tb, mesmo que isso possa levar ao fim de jóias como a McGill.

Quanto ao referendo, só o referendo em si (independente do resultado) vai ser um golpe contra a economia de QC (e um pouco para o Canadá como um todo) e vai tomar uma energia enorme que poderia ter sido usada para resolver outros problemas mais importantes no meu modo de ver. Vai ter uma nova leva de anglófonos, empresas e imigrantes debandando e empurrando preços de imóveis para baixo (quem quiser vender casa para se juntar à onda vai perder dinheiro, já que o preço do imóvel cai mas as prestações do financiamento continuam as mesmas).

Se o referendo passar, os efeitos serão mais drásticos, é lógico. Mas os separatistas sabem que QC sem o Canadá será mais pobre e não se importam com isso (não se deixe levar pela propaganda deles). Como meu professor de francês dizia, “prefiro morar sozinho no meu apartamento chinfrim do que morar na casa do papai”. Para eles, a independência é mais importante e eu entendo isso. A separação vai até ajudar eles a se livrarem desses imigrantes que adoram o inglês…

Eu duvido que o PQ tem a ilusão de arrancar mais privilégios do governo federal. Com a economia do jeito que está, a margem de manobra é muito pequena. Além do mais, o governo federal de Harper foi eleito em 2011 praticamente sem o apoio de QC, algo que é sem precedentes. Ou seja, ele não tem o dinheiro e não tem o apoio político para dar mais coisas para QC. O que o PQ quer é criar mais conflitos para ganhar mais apoio para o referendo. E apesar dos problemas que temos no QC, a Pauline já disse que a primeira coisa que ela vai fazer é se reunir com Harper… Isso não vai resolver problema nenhum, só vai criar novos, mas é o que ela quer.